Trabalhista | Assédio no Ambiente de Trabalho: o Maior Risco para Empresas É Não Saber o Que Está Acontecendo

O maior risco para a empresa não é apenas a ocorrência do assédio, mas a falta de visibilidade organizacional sobre o problema.

Em um cenário de crescimento expressivo de ações trabalhistas e denúncias institucionais, o silêncio corporativo tem se mostrado tão prejudicial quanto a própria conduta ilícita.

Dados da KPMG, na pesquisa “Mapa do Assédio no Brasil 2025”, indicam que quase 1 em cada 3 profissionais sofreu algum tipo de assédio no último ano, sendo o assédio moral ou psicológico o mais frequente. Cerca de 38% das vítimas não denunciam, por medo de retaliação, exposição ou descrença nos canais internos.

O reflexo aparece nas estatísticas oficiais: o Tribunal Superior do Trabalho registrou aumento de aproximadamente 22% nas ações por assédio moral e cerca de 40% nas demandas por assédio sexual. No âmbito extrajudicial, o Ministério Público do Trabalho apontou elevação de 26,9% nas denúncias em relação a 2024. A equação é clara: quanto menor a confiança interna, maior a judicialização externa.

Fortalecer a relação de confiança entre colaboradores e organização torna-se, portanto, essencial. Isso envolve atuação responsável das lideranças e canais internos efetivos, acessíveis e confiáveis, capazes de estimular o reporte precoce e permitir respostas rápidas.

Destacamos abaixo 4 pontos de atenção:

1. Protocolo formal de investigação interna: Procedimentos claros, imparciais e padronizados, suportados por documentação robusta e decisões fundamentadas. Sem método, a apuração perde credibilidade, inclusive no caso de eventual defesa judicial.

2. Canal de denúncia efetivo: Deve garantir anonimato real, proteção contra retaliação e retorno tempestivo. A apuração e eventual aplicação de medidas precisam ocorrer com celeridade, sob pena de caracterizar tolerância institucional ou perdão tácito.

3. Treinamento contínuo de lideranças: Gestores são o principal elo com os colaboradores e devem equilibrar resultados e fatores humanos, atentos a sinais de riscos psicossociais antes que se convertam em passivo jurídico.

4. Mapeamento e gestão de riscos psicossociais: Com a atualização da NR-1 e a inclusão dos riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o tema passa a integrar formalmente a agenda de saúde e segurança do trabalho, exigindo diagnóstico estruturado e plano de ação consistente.

Na semana do Dia da Mulher, o tema ganha relevância adicional. Estudo da Mindsight (2021) aponta que mulheres podem sofrer até três vezes mais assédio sexual do que homens. No assédio moral, 38% das mulheres relataram já ter vivenciado a situação, frente a 30% dos homens. A atuação fiscalizatória do Ministério Público do Trabalho tende a se intensificar, especialmente diante das novas exigências sobre riscos psicossociais, com previsão de autuações a partir de maio de 2026.

Diante desse cenário, o momento exige abordagem estratégica e preventiva, evitando que a resposta empresarial se limite a reestruturações emergenciais, pagamento de indenizações ou atuação defensiva em processos judiciais e administrativos.

Compartilhar:

Share on facebook
Share on linkedin

Assine nossa Newsletter:

* Campos obrigatórios