O risco reputacional tornou-se um dos principais fatores de impacto sobre o valor de uma empresa.
A imagem do negócio influencia acesso a capital, relacionamento com clientes, capacidade de atrair talentos e viabilidade de parcerias estratégicas.
Apesar disso, muitos acordos de sócios continuam concentrados apenas em mecanismos clássicos de governança e liquidez, deixando sem tratamento adequado a conduta dos próprios sócios fora do ambiente corporativo, justamente onde várias crises se originam, sobretudo diante do crescente impacto das redes sociais.
O acordo de sócios pode alcançar situações de todo o tipo, sendo uma estratégica refinada de evitar impactos negativos para empresa. Envolvimento em condutas ilícitas ou antiéticas, vinculação político partidária, processos com grande exposição negativa, episódios de assédio ou discriminação, bem como publicações em redes sociais que promovam discurso de ódio, desinformação ou ataques a grupos específicos são alguns exemplos do que pode ser regrado pelo acordo de sócios.
Em empresas nas quais o sócio é também a “face pública” do negócio – como startups, empresas de tecnologia, serviços profissionais e negócios de forte posicionamento de marca – a fronteira entre pessoa física e empresa torna-se especialmente tênue. Nessas circunstâncias, a percepção do mercado sobre o indivíduo rapidamente se transfere para a organização.
O objetivo não é controlar convicções pessoais, mas evitar que a empresa seja associada, de forma não consentida, a movimentos, discursos ou práticas que possam comprometer sua relação com clientes, investidores, parceiros e o próprio time. Então, usam-se cláusulas para estabelecer padrões mínimos de conduta esperados dos sócios, vinculação às políticas internas de integridade e compliance, limites para uso do nome e da marca da empresa em manifestações públicas e, sobretudo, consequências claras e proporcionais em caso de descumprimento.
Tratar o risco reputacional no acordo de sócios é reconhecer que a credibilidade da empresa é um ativo econômico central, e não um tema acessório de comunicação. Em um ambiente em que decisões de consumo, investimento e parceria são cada vez mais influenciadas por percepções públicas, deixar a reputação desprotegida no instrumento que rege a relação entre os sócios é uma fragilidade estratégica relevante.